sexta-feira, 8 de maio de 2009

Vida: Uma caixa de pandora.


Em uma noite fria e chuvosa, apenas mais uma noite normal até aquele momento, estava voltando do trabalho, exausta a caminho de casa quando em uma encruzilhada, olho pela janela do carro e vejo um homem no canteiro, comecei a observá-lo, Sabe aqueles momentos em que parece que Deus toca a sua face para te mostrar a realidade da vida? Tu sentes a presença Dele, como se quisesse nos ensinar algo. Peguei-me abobalhada olhando-o, aquele simples homem andava em meio à chuva sem agasalho, sem guarda-chuva, nada que o protegesse do frio e da chuva, um sentimento de inutilidade invadiu meu ser, quando o vi simples apenas de blusa, bermuda e uma sandália, abraçando a si mesmo no intuito de se livrar do frio, abri o vidro por um instante e vi que realmente fazia muito frio. Senti-me envergonhada do simples fato de estar indo para casa, protegida da chuva, agasalhada do frio, indo jantar e dormir em uma cama quentinha e aconchegante. E aquele homem, como será sua noite, pensei. Minha vontade era descer e ir dar-lhe um agasalho, ou fazer qualquer outra coisa para ajudá-lo, mas não podia não tinha nada em mãos nada para dar-lhe. Baixei a cabeça em desespero pessoal, nada podia fazer e queria muito fazer algo. Foi um minuto eterno da minha vida, Senti que Deus estava ali me mostrando àquela cena. É surpreendente, mas eu nunca tinha visto algo parecido, foi a primeira vez que vi uma pessoa necessitada, a primeira vez que senti vergonha dos seres humanos, primeira vez que senti o horrível fato da inutilidade. E sem perceber estava em prantos, não conseguia conter minhas lágrimas, o sentimento era maior do que eu. Uma pessoa me acompanhava no carro, olhou-me e perguntou: “por que choras?”, ele não tinha visto tal absurdo, eu lhe respondi: “ vi um homem tentando com todas as forças fugir da chuva e entregue ao frio, sem conseguir se agasalhar e trajando vestes simples. Meu amigo surpreso por eu nunca ter visto algo tão comum hoje em dia me disse algo que soa em minha cabeça até hoje: “Estás vendo? E existem pessoas que não dão valor ao que tem, tem comida em sua mesa, um teto seguro onde se acolher e ainda reclama da vida” E aquele homem de que vai reclamar então? Se os que têm tudo sempre reclamam que querem mais, de os que não têm nada reclamam”? Senti-me extremamente envergonhada, pois sempre reclamava da vida, que era estressante, mas nunca tinha parado para pensar em tudo que tenho e sem muito esforço confesso. Pouca coisa conseguiu por mérito próprio e sei o gosto do orgulho que se sente. Precisamos dar mais valor à vida. Aquele homem sem nada, perdido, caminhando totalmente sem rumo, em busca de um horizonte perdido, me ensinou a lição mais valiosa da minha vida, mesmo sem saber que o fez. E que sigo a risca até hoje e tento passar a todos que estão ao meu redor. Viver e agradecer a Deus todos os dias pelo que somos e o que temos.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Como me sinto.


Eu me sinto como uma foto, em que sempre se repete, mas a aparência continua a mesma. Uma paisagem perfeita. Como em um cubículo de espelhos gritando e só o que vejo é o meu reflexo, só escuto meu próprio som trancado, abafado. Em um campo imenso cercado de mim mesma em gritos de desespero e muitas faces minhas a me olhar, sem saber o que fazer ou o que dizer. Penso milhares coisas ao mesmo tempo e de repente me dou conta de que não consigo pensar em nada, tudo está confuso. Estou perdida no fundo do oceano e preciso subir para pegar meu bote salva-vidas, mas estou ficando sem forças para chegar até em cima desse interminável oceano. E agora? Uma pergunta que se repete em minha mente e a resposta não vêm. Houve um bloqueio, uma enorme parede se fixou em minha frente e não consigo ultrapassá-la. A única vontade que tenho é de gritar, eu sei que não vai resolver, mas pelo menos alivia um pouco a angústia. Saudade, dor, sofrimento. E agora?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sonho


Um dia eu sonhei que estava em um conto de fadas, onde tudo era perfeito. Os dias passavam e continuava a ser o mesmo dia. Choveu, fez sol, mas o dia era sempre lindo, eu e meu príncipe encantado em nosso “cavalo branco”. Meu coração estava apertado, mas eu sorri o tempo todo. Sentia certa angústia, mas estava imensamente feliz. Eu fumei sem encostar-me a um cigarro. Bebi, fiquei embriagada sem ingerir nenhum tipo de álcool. Eu chorei de alegria e ri de tristeza. Eu fui falsa e mesmo assim fui eu mesma e tudo era perfeito. O dia virava noite e tudo era claro e lindo como uma manhã de sol. Fez frio, mas eu não senti; fez calor e eu só queria estar enrolada nos braços do meu príncipe encantado o tempo todo. Ele foi um ogro por vezes, mas eu o vi como o mais gentil, galante e honroso dos príncipes. Eu fiquei confusa entendendo tudo e tudo que era compreensivo se tornou uma confusão. E no final do sonho, eu abraçada ao meu príncipe envolto em nosso castelo e as pessoas passavam e voltavam tristes, felizes, deprimidas, apreensivas, quem sabe? Mas eu não via ninguém, de repente o mundo parou em mais um passe de mágica e quando percebi só havíamos nós dois no mundo e o mundo inteiro era nosso. Mas como todo sonho pára para outro começar, em um momento perfeito nos despedimos e com uma incrível observação eu vi o meu rígido e honroso príncipe envolto em lágrimas, mostrando a si mesmo, puro, nu em um momento muito especial. Ficamos longe, mas sempre perto, por quê? Por que nos amamos então embora distantes, estaremos sempre juntos. Faz sentido? Talvez, se souber interpretar, quem ama entende. Por que contigo é sempre assim, lindo e o que não faz sentido algum, é perfeitamente compreensível para mim. Conto de fadas? Ás vezes. Mas meu sonho real foi um completo e verdadeiro conto de fadas. E meu príncipe encantado, me espera em seu “cavalo branco”, até que um dia estaremos prontos para nos tocarmos novamente, por que estamos sempre unidos pelo amor e pela alma.